Montanhismo
Integração com a natureza

Ahistória do ser humano tem sido marcada por uma relação de conflito com a natureza. Ainda hoje predomina a idéia equivocada de que a natureza deve servir ao homem e ser dominada por ele. Em geral, os esportes praticados
na natureza são um contraponto a essa compreensão, que prejudica o mundo e o próprio homem. O montanhismo é um desses esportes que possibilitam ao praticante uma ressignificação da natureza e da vida.
O montanhismo não se reduz à ação de escalar uma montanha. Trata-se de
um conjunto de atividades realizadas em regiões montanhosas; entre elas, estão também a caminhada e o acampamento. Alguns denominam de alpinismo a escalada de uma montanha com a utilização de equipamentos
técnicos. O que faz do montanhismo uma atividade ou esporte tão significativo? Essa pergunta não pode ser respondida de maneira simples. Porque não é apenas um motivo que move o praticante. Sem dúvida, o contato com a natureza — não só a montanha propriamente dita, mas os rios, as cachoeiras, florestas, cânions etc — é um dos motivos. Outro é a busca de isolamento com o intuito de reflexão ou meditação. Há os que procuram conhecer o ambiente — a fauna, a flora e os acidentes físicos — fazendo dessa atividade uma espécie de jornada científica. Às vezes, é possível que um pouco de todos esses motivos se identifique em um praticante.
HOMEM-NATUREZA
As exigências físicas e mentais do montanhismo são rigorosas, claro, dependendo do nível da prática. De qualquer maneira, a solicitação
corporal é grande. O indivíduo tem de aprender habilidades para enfrentar matagais fechados, clima adverso, caminhos tortuosos e longos etc. Por exemplo, é comum o praticante de escalada em rocha conviver com a dor e
o cansaço. A atividade pode pôr à prova as capacidades de resistência, equilíbrio físico, força, coordenação, atenção, concentração, julgamento, equilíbrio mental e emocional etc.
São muitas as solicitações presentes na escalada e no montanhismo em geral. Talvez esse seja um dos fatores que beneficiam a integração com a natureza. Quanto mais o praticante respeitar a montanha, o meio ambiente e suas próprias limitações, e perceber que suas conquistas não são contra,
mas com a montanha, melhor será seu desempenho, mais evidente ficará que a natureza-homem interage com a natureza-ambiente. Ambos são elos de uma única corrente.
ESCALADA INDOOR
Quando o esporte desce a montanha

Às vezes, o mau tempo, como frio rigoroso ou tempestade, pode impedir a prática do montanhismo. Isso motivou a criação da escalada indoor. Originária da Ucrânia, na década de 1970, esta modalidade surgiu quando um praticante fixou pedras de tamanhos diferentes em sua garagem, para treinar durante o inverno. A novidade logo se espalhou.
No Brasil, a escalada indoor surgiu em Curitiba, e depois, no Rio Grande
do Sul. Hoje, em todo o país, ela é praticada em academias, em clubes e em eventos esportivos nos quais são montadas estruturas especiais para essa prática. Aos poucos, a escalada em lugares fechados está se popularizando.
São três as modalidades da escalada indoor: Escalada Boulder, praticada em estruturas de até 5 metros, com um esquema de segurança simples — colchão e proteção de uma pessoa — Escalada de Dificuldade, na qual a escalada é mais complexa e a estrutura pode chegar a altura de 25 metros; na Escalada de Velocidade, o atleta escala contra o relógio.
CUIDADOS COM A MONTANHA E COM A VIDA

A busca cada vez maior por uma integração com a natureza presente no montanhismo determina a atitude de preservar o meio ambiente. Cuidar do meio ambiente significa respeitar a natureza e a vida em todas as suas dimensões: flora e fauna. Em especial, significa respeitar também a vida humana. A preocupação com a natureza deve ser constante. Todas as ações do praticante devem ter por alvo minimizar o impacto ambiental. Isso vale para as matas, os rios, os lagos, as rochas, as plantas, as flores, os animais, os microorganismos, ou seja, vale para todo o ecossistema da região visitada. A idéia é deixar o local natural da mesma maneira que foi encontrado, sem os prejuízos das ações humanas.
Assim, o praticante deve ter o hábito de carregar o próprio lixo de volta para a
civilização. Na ausência de instalações sanitárias, ele deve procurar tomar todas as medidas para não prejudicar o ecossistema. Nas escaladas, deve utilizar equipamentos que não agridam ou agridam menos o local escalado. O acampamento deve ficar limpo e todos os equipamentos utilizados em uma expedição (corda, barracas, garrafas de oxigênio etc.) devem ser removidos da montanha.
O acampamento deve ser instalado em locais onde não haja agressão de plantas ou de animais. O consumo de energia também deve ser alvo de preocupação. O praticante tem de levar seu fogareiro com combustível suficiente para o preparo de comida e não fazer fogueiras com substâncias do meio ambiente natural. Estas são apenas algumas orientações.
Muitas outras ações que demonstram consciência ecológica podem ser citadas. O importante é que o praticante de montanhismo estabeleça uma relação saudável com o meio ambiente. Se essa conduta for estabelecida, pode-se aprender muito com a natureza e com nós mesmos, que fazemos parte dela e, às vezes, esquecemos disso.
MONTANHISMO NO BRASIL
História e lugares onde praticar
Desde meados do século XIX, são registradas marcas de alpinistas brasileiros em território nacional. Em 1856, José Flanklin da Silva escalou o Pico das Agulhas – 2.787 metros. Em 1871, alunos da Escola Militar da Praia Vermelha escalaram o Pão de Açúcar. Em 1879, um grupo liderado por Joaquim Olímpio de Miranda, escalou o cume Olimpo, no Maciço do Marumbi, Serra do Mar, Paraná – 1.547 metros.
Em 1912, uma expedição chefiada por Teixeira Guimarães escalou o Dedo de Deus, Rio de Janeiro. Em 1965, José Ambroso Miranda
Pombo escalou o Pico da Neblina, Amazonas – 3.014 metros. As marcas são modestas se comparadas às obtidas em outras regiões do mundo: 7.816 metros, Nanda Devi, Índia; 8.091 metros, Annapurna, Nepal; 8.848 metros, Everest. As montanhas brasileiras possuem baixa altitude. No entanto, a altitude não é o único elemento que determina o grau de dificuldade em uma escalada. Há outras características na geografia nacional que são atraentes para o montanhista. Uma delas é a acentuada verticalidade. Há diversos lugares onde se pode praticar montanhismo no Brasil. A exploração de regiões montanhosas é disseminada por todo o país. A escalada de rocha é mais freqüente no Estados do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Em São Paulo, os lugares mais visitados, para a prática do montanhismo, são o Complexo da Mantiqueira; Pedra da Represa, Via Irmanos e Via Nephila, em Salesópolis; Falésia da Pedra da
Divisa, Via Axterix e Via dos Lixeiros, São Bento do Sapucaí; Morro do Maluf, Guarujá; Pedra Grande, Atibaia; e Visual das Águas, Bragança Paulista.
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