Memória de uma alegria
O MUSEU DO FUTEBOL É UMA AULA DE HISTÓRIA DO BRASIL.

“SOMOS HABITADOS PELO FUTEBOL”.
Essa frase está no prospecto de apresentação do Museu do Futebol. Ela sintetiza bem a importância desse esporte na vida do brasileiro. Parte de nossa história é formada pela prática dessa atividade ou pelo imaginário
sobre essa prática. História e futebol se imbricam. Essa relação indissociável é ressaltada no museu, local de entretenimento e de aprendizado. Com um acervo grande — imagens (fotos, cartazes e vídeos), sons e objetos — tratado com tecnologia, o visitante pode não só observar o mundo maravilhoso do futebol, como também pode em diversos momentos
interagir por meio de aparelhos audiovisuais.
No saguão de entrada, há uma belíssima coleção de fotos e cartazes de times e motivos brasileiros, que registram a mágica do futebol sob a ótica do torcedor. Só esse painel já vale a visita. Há de tudo: anúncios, cartazes comemorativos, emblemas, quadros satíricos, charges etc. Várias páginas de alegrias estão naquelas paredes.
Antes de o visitante entrar em contato com o acervo do museu, há um local destinado a exposições temporárias, que foi inaugurado por uma exposição sobre Pelé. A escolha não poderia ser melhor.
Fotos, medalhas, chuteiras, camisas, documentários e cenas de partidas contam como foi o caminho do atleta do século, de menino pobre a jogador
famoso, reverenciado em todo o mundo.
Na seção Anjos Barrocos, o visitante pode observar projeções de craques em telas espalhadas por todo o ambiente. Os personagens aparecem
e desaparecem como se fossem anjos a descrever a história do futebol. Em outra seção, Gols, podem-se ver e ouvir gols históricos e os respectivos relatos de cronistas esportivos ou personalidades apaixonadas por esse
esporte. O gol de Dener, da Portuguesa, contra o Inter de Limeira, em 1991, pode ser revisto, assim como várias jogadas de Garrincha e o gol de Basílio, que em 1977 tirou o Corinthians de uma longa espera por títulos. O narrador-comentarista dessas jogadas também pode ser escolhido. Na lista há nomes como Alberto Helena Júnior, Armando Nogueira, Fernando Calazans, José Roberto Torero, José Trajano, Juarez Soares, Juca Kfouri,Nelson Motta e Ruy Castro, entre outros. O museu não esquece de homenagear os grandes locutores de rádio, que antes da televisão já compunham o imaginário do nosso universo esportivo. As vozes de Ary Barroso, Edson Leite, Pedro Luiz, Fiori Gigliotti e Osmar Santos estão lá, aguardando a escolha do ouvinte. Elas desenham uma outra dimensão do futebol que não pode ser vista nos campos. O silêncio da Copa de 1950 é lembrado. Tem o seu lugar como a grande tragédia do futebol brasileiro. O país do futebol não conseguiu ser campeão quando a copa foi disputada em seu território, perdendo a final, no maior cala-boca do glorioso Maracanã.
Dizem que aprendemos com as derrotas. Eis o aprendizado mais amargo
e mais sofrido da trajetória verde-amarela. Talvez a seção mais marcante do museu seja Copas do Mundo. Organizadas por espécies de totens, há 370 fotos e 16 vídeos que contam as trajetórias de todas as copas do mundo.
Nos totens não há só ícones do futebol, mas fotos e reproduções de jornais que retratam acontecimentos históricos.



Ou seja, as copas são contextualizadas. Por exemplo, pode-se ver no totem da Copa de 1962, que registra o bicampeonato brasileiro, uma foto dos Beatles do ano de 1963, no Abbey Road Studio, em Londres, Inglaterra, onde eles lançariam o álbum Please, Please Me. Pode-se ver no totem onde está a Copa de 1966, vencida pela Inglaterra, uma foto de soldados norte americanos em plena Guerra no Vietnã, em 1967. No totem da Copa de 1970, momento mágico do nosso futebol, há a foto de Geraldo Vandré, que em 1968 participava do III Festival Internacional da Canção, autor e intérprete de “Pra não dizer que não falei de flores”, canção cuja execução foi proibida pela Ditadura Militar. No totem da Copa de 1978, vencida pela Argentina, há uma foto sobre a Guerra Irã-Iraque tirada em 1980. A seção é um grande painel de fatos e acontecimentos do Brasil e do Mundo.
Há outras seções que enaltecem personagens componentes do universo esportivo e cultural. Na seção Heróis, jogadores como Diamante Negro e Domingos da Guia estão junto a grandes artistas plásticos, literatos e músicos. Na seção Origens, por meio de mais de 400 fotos e um filme, pode-se aprender sobre a origem do futebol brasileiro, desde a libertação
dos escravos até o profissionalismo. As torcidas dos maiores times também estão representadas na seção Exaltação. Por tudo isso, o Museu do Futebol é uma bola dentro, um gol que institucionaliza a memória de uma alegria.

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