Quando o árbitro é a extensão
do professor em quadra
A competição esportiva pode ser um excelente
momento de aprendizagem.
A arbitragem quase sempre
desperta paixões.
Em geral o torcedor
descarrega sobre a figura do
árbitro impulsos agressivos,
sob a forma de xingamentos,
escárnios e, às vezes, até agressões
físicas. Isso em certa medida
obscurece a importância
da ação do árbitro, que é
central para o bom desenvolvimento
de qualquer prática
esportiva. Ele é o responsável
pela mediação de tudo o que
acontece no jogo e em seu entorno:
torcida e equipamento
esportivo. Isso é válido para
qualquer nível de competição,
mas no esporte escolar
o árbitro tem importância
ainda maior, porque ele deve
lidar com os aspectos pedagógicos
do esporte.
A Fedeesp completa 10 anos de
existência organizando competições
e difundindo o esporte.
" Em Geral os Arbitros, não compreendem a sua importância,
que vai muito além
de apenas aplicar regras. A
maioria dos árbitros não
tem formação para desempenhar
de maneira plena as
suas funções e acaba utilizando
esse ou aquele campeonato
como um bico, uma
forma de ganhar um extra”,
afirma Alexandre Traverzim,
professor de educação física
e vice-presidente da Federação
do Desporto Educacional
de São Paulo. Traverzim
salienta que o árbitro deveria
ser escolhido não só pelo
seu conhecimento técnico,
mas principalmente pela sua
condição moral, pela sua
formação e integridade.
“Se o árbitro não conhece
minimamente as fases
de desenvolvimento de um
indivíduo; se desconhece o
significado de um jogo de determinado
campeonato para
uma criança, ápice de aprendizagem
e treinamentos; se
ele não percebe a importância
dessa atividade para ela, o
estado de pressão e ansiedade
que ela se encontra; como ele
poderá desempenhar uma
mediação que colabore com
o desenvolvimento do praticante?”,
indaga o professor.
Regras, orientações e
aprendizagem
Em fase de desenvolvimento
escolar, a criança está
aprendendo um conjunto de
conceitos e de normas de conduta.
Assim também é com
o esporte. Ela aprende desde
lidar com o próprio corpo - possibilidades e limites – até
a melhor forma de conduta
em situação de competição.
Mas é um aprendizado. Muitas
vezes a criança, antes de
ser punida, por causa de uma
infração que cometeu sem
saber, deve ser orientada. A
orientação, que nem sempre
é satisfatória nas aulas da escola,
faz parte do processo
educacional. O árbitro que
tem olhar educacional pode
auxiliar, por exemplo, na
dimensão emotiva de uma
criança, que está aprendendo
a trabalhar internamente
com fortes emoções. O árbitro
pode colaborar para amenizar
as reações agressivas do
praticante esportivo.
“A regra não deve deixar de
ser observada, mas a arbitragem
dos jogos escolares deve
ser muito mais falada do que
apitada. O árbitro deve orientar
os estudantes; e, antevendo
os possíveis problemas de relacionamento,
atuar para desfazê-
los”, reforça Traverzim.
As regras também devem ser
adaptadas, para que se mantenha
uma prática adequada.
Por exemplo, na prática do
futsal na categoria pré-mirim,
seria legítimo que o gol tivesse
menores dimensões; isso
evitaria que a disputa se tornasse
apenas uma espécie de
chute a gol, aproveitando a
desproporção entre a altura
do goleiro e a do travessão.
Davi Francisco da Silva
Pensando no aprimoramento
da arbitragem e dos
campeonatos, a FEDEESP
está elaborando um caderno
de orientação de arbitragem
escolar. O caderno, que está
sendo feito por professores de
educação física e que também
são árbitros de modalidades
esportivas, conterá orientações
gerais, que buscam ressaltar a
condução educacional do árbitro,
e regras adaptadas que
visam à prática saudável do
esporte. O primeiro caderno
abordará as quatro modalidades
de quadra, vôlei, basquete,
handebol e futsal. A previsão
é que essas orientações e as
regras adaptadas sejam aplicadas
no ano que vem.

IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO
PÁGINA INICIAL
|