Da luta pela
sobrevivência aos
jogos olímpicos
Por Tiago Machado
O homem é um atleta nato.
Desde época primitiva
aprendeu que arremessando
paus e pedras poderia
caçar e se alimentar. Ao mesmo
tempo, utilizando suas habilidades
físicas e correndo, podia
se esquivar e fugir de seus principais
predadores carnívoros. O
melhor uso do seu corpo estava
diretamente ligado à sua sobrevivência.
Na luta pela vida, sem
querer, acabou desenvolvendo os
princípios básicos do atletismo,
que nada mais são do que os movimentos
de correr, de pular e de
arremessar. Entretanto, tudo no
início não passava de uma mera
questão de sobrevivência.
O começo das competições
O saltar, o correr e o arremessar
pesos só se transformaram
em esporte realmente graças aos
Gregos. Por volta de 1200 antes
de Cristo, no Monte Olímpicus,
foi construído um palco onde os
homens exibiam suas forças e habilidades
físicas. Eles faziam isso
para homenagear Zeus, deus da
mitologia grega. Nasciam ali os
Jogos Olímpicos. Os vencedores
eram glorificados, sua imagem era
levantada à altura dos próprios deuses. Os atletas daquela época
se transformavam em verdadeiros
heróis, que eram reverenciados por
quatro anos até que os novos jogos
fossem iniciados. Um detalhe
curioso é que as mulheres não podiam
participar ou sequer assistir
os jogos. Era um esporte restrito
ao público masculino. Para elas,
era realizado um evento esportivo,
de quatro em quatro anos, em homenagem
a Hera, esposa de Zeus.
Os jogos permaneceram assim
até que o imperador romano Theodósius
I, entre os anos de 393 e
394, determinou que todas as referências
pagãs da antiguidade deveriam
ser interrompidas, e assim
a tocha olímpica se apagou por
1.400 anos.
A era moderna
“O principal objetivo da vida
não é a vitória, mas a luta; o essencial
não é vencer, mas lutar. Vamos
exportar nossos atletas para
promover a paz. Esse é o mercado
livre do futuro.”
Com essas palavras o francês
Pierre de Fredy, Barão de Coubertin
definiu o caráter dos jogos
olímpicos da Era Moderna. Ele
foi o principal responsável pelo
retorno do mais importante evento esportivo do planeta. Em 23 de
junho de 1894, Coubertin organizou
um congresso internacional,
em Paris. Neste evento foi criado
o Comitê Olímpico Internacional
(COI). Dois anos mais tarde, em
Athenas na Grécia, foi realizada
a primeira Olimpíada moderna,
com a participação de 285 atletas
de 13 países. A Tocha Olímpica
foi reacendida com a finalidade
de promover a paz entre as nações
e unir os povos pelo esporte.
O barão se tornou presidente honorário
do COI, e assim permaneceu
até sua morte, em 1937, em Genebra,
na Suíça. Em homenagem,
seu corpo foi enterrado na sede do
comitê, em Lausanne, e seu coração
foi sepultado separadamente,
em um monumento perto das ruínas
da antiga Olímpia.
Atualmente, os Jogos Olímpicos
são realizados de quatro em quatro
anos, em países e cidades diferentes.
Segundo o Comitê Olímpico
Internacional, participaram da
última Olimpíada, em Pequim,
10.942 atletas, representando mais
de 200 países e por volta de 100 mil
voluntários. O atletismo continua
sendo a atração principal. São 26
provas masculinas e 23 femininas.
Vanderlei
“Espírito Olímpico” de Lima"
Por Tiago Machado

O sonho de qualquer maratonista
de elite, com
certeza, é se preparar
para alcançar uma das vagas disponíveis
para o seu país nos Jogos
Olímpicos. A maratona é a prova
nobre do atletismo, na qual o
atleta “passeia em alta velocidade”
pela cidade sede. O evento
é acompanhado por milhões de
pessoas, que se unem, criando
um grande cordão de incentivo
humano, para motivar os participantes.
Nessa hora, não existe
separação por classes sociais, cor
ou religião, todos aproveitam o
mesmo espaço nas ruas.
Em 2004, nos Jogos de Atenas,
o franzino maratonista brasileiro
Vanderlei Cordeiro de Lima conquistou
sua merecida vaga para
disputar a maratona. Natural da
cidade paranaense de Cruzeiro
do Oeste e morador da vizinha
Maringá, Vanderlei começou sua
carreira no atletismo disputando
os jogos escolares do Paraná aos
16 anos, e o seu maior sonho era
o de participar de uma Olimpíada
e representar o Brasil. Dificilmente
poderia imaginar que se
tornaria um dos maiores ícones
da história do esporte brasileiro,e por que não, mundial, antes de
sua participação na prova.
Tudo parecia normal na largada
da maratona. Nosso maratonista
se mantinha no pelotão da frente,
correndo forte e com o coração
aberto. Vanderlei sequer estava entre
os favoritos para receber a maior
condecoração do esporte, na terra
onde a Olimpíada começou.
E Vanderlei correu... A cada metro,
o brasileiro se distanciava dos
competentes africanos e europeus.
O tímido sonho do maratonista,
em apenas participar dos jogos, ganhava
traços heróicos e a emoção
de uma possível vitória arrepiava
cada brasileiro ligado pela televisão.
Folgado na liderança, Vanderlei
mantinha o forte passo e se
hidratava sempre que possível. A
vitória era certa... Era.
Antes mesmo de se aproximar do
magnífico Panatináico, o Estádio
de Mármore, em Atenas, Vanderlei
foi agarrado por um maníaco
completamente fora da realidade,
o ex-padre irlandês Cornelius Horan.
O fato chocou o mundo. Até
argentinos devem ter se solidarizado
com o brasileiro.
Ao tentar se desvencilhar do maníaco Irlandês, perdeu ritmo e
segundos importantes que o afastaram
da vitória. De uma forma
surpreendente, envolto de alegria e
contagiado pelo espírito olímpico,
Vanderlei continuou a corrida, não
mais como um maratonista , mas
sim como um fora de série do esporte,
aquele capaz de influenciar
multidões. Volta para a prova sem
se queixar.
O brasileiro, talvez sem querer,
prega uma grande lição de
paz e competitividade para a
humanidade. Entra sorrindo,
feliz e fazendo aviãozinho pelo
estádio Panatináico. O terceiro
lugar conquistado, que lhe
rendeu a medalha olímpica,
não tem cor, não é designado
pela matéria prima ouro, prata,
bronze, latão ou papelão. É a
medalha mais pesada de toda a
história dos jogos, a medalha
completamente forjada com o
verdadeiro espírito olímpico.
Vanderlei virou exemplo de
superação, garra e humildade.
O atleta deixou de ser maratonista
para se tornar um ícone.
Com sua atitude, o franzino
brasileiro se transformou em
um gigante herói mundial.
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